Acho que fandoms foram o primeiro lugar em que eu consegui me sentir visto de uma forma que também me permitisse me sentir livre.
Eu cresci meio reprimido, digamos assim. Um transviado nerdola vivendo em uma cidadezinha pequena de interior, crescendo em meio a uma situação liminar muito particular no que se refere a acesso e classe, e tendo sido colocado com uns 5 anos numa escola católica tradicionalista. Mas tradicionalista mesmo, ta? Saia até o joelho, código de vestimenta que ditava até a cor das meias, meninas e meninos com recreio em espaços separados, missas compulsórias todas as sextas-feiras. Aula de religião que era de religião, singular. Era catecismo disfarçado de matéria escolar. E foi minha média mais baixa no meu histórico de fundamental! Nunca fui bom em ser católico, apesar de ter tentado por muito tempo.
Então, é, dá pra dizer que eu fui um pouco reprimido. Demorou um tempo pra eu entender que existia espaço pra ser mais, mais tempo pra entender que eu precisava ser mais, e mais tempo ainda pra eu ter coragem de ser mais.